Otros ciencias
Paulo Almeida e Margarida César
Um contrato
didáctico inovador em aulas de Ciências do 10º
ano de escolaridade.
O ensino das Ciências continua a privilegiar, fundamentalmente,
o desenvolvimento de capacidades de baixo nível, relativas
à memorização de factos, conceitos e leis.
Existe uma necessidade premente de alteração das práticas,
atribuindo ao aluno um papel social relevante na construção
do conhecimento e permitindo criar uma imagem dinâmica da
construção da Ciência. No contrato didáctico
habitual, os professores ensinam/questionam e os alunos aprendem/respondem.
Quando pretendemos implementar um contrato didáctico inovador,
algumas regras necessitam ser explicitadas, promovendo uma ruptura
relativamente às regras anteriormente apropriadas pelos alunos.
Numa investigação-acção baseada numa
metodologia de inspiração etnográfica, procurou-se
compreender a realidade complexa e dinâmica das interacções
em sala de aula. Este estudo foi desenvolvido com uma turma do 10º
ano (22 alunos), na disciplina de Ciências da Terra e da Vida.
Os dados foram recolhidos através de observação
participante (incluindo gravação áudio de interacções
entre alunos), entrevistas, questionários e recolha documental.
Procedeu-se à sua análise qualitativa, criando categorias
indutivas.
Os resultados iluminam que a adesão a contratos didácticos
inovadores não é imediata. Alunos e professor tornaram-se
progressivamente mais autónomos e críticos, passando
a actuar como participantes legítimos de uma comunidade de
aprendizagem, respondendo aos desafios das práticas pedagógicas
implementadas e melhorando os seus desempenhos.
Palavras-chave: contrato didáctico, trabalho colaborativo,
ensino das Ciências, socioconstrutivismo
9-9-06
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